A primeira reunião do Conselho Nacional dos Direitos das Mulheres (CNDM) sob a gestão de Iriny Lopes, nova ministra da Secretaria de Políticas para Mulheres (SPM) foi realizada na quarta-feira (09), em Brasília. O Conselho debateu com prioridade a organização para a III Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, que vai acontecer de 12 a 15 de dezembro.
A ministra Iriny Lopes falou que a Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, assim como a atuação da SPM, será voltada ao combate a pobreza e a miséria, em sintonia com as prioridades estabelecidas pela presidenta Dilma Rousseff. Outro assunto que será amplamente discutido será como criar as condições para que as mulheres obtenham autonomia econômica, social e política.
De acordo com Iriny Lopes, “políticas paras as mulheres não é problema das mulheres, é problema de governo e do país”. Ela afirmou também que “a Conferência estará centrada na mudança da qualidade de vida das mulheres, em especial no combate à pobreza, mas vai para, além disso, tratará do conjunto das mulheres brasileiras em todas as suas diversidades”.
“Para a CGTB o principal problema a ser resolvido é acabar com a desigualdade entre mulheres e homens que exercem a mesma função, mas as mulheres recebem menos. A mulher médica ganha menos que o homem. Por quê? Isso acontece também na produção, nas fábricas. A maioria dos chefes ainda são homens. Nos sindicatos a direção também é composta por uma maioria de homens”, disse Cida Malavazi, secretária Nacional da Mulher Trabalhadora da CGTB, que tomou posse e participou da sua primeira reunião do CNDM após se recuperar de um problema de saúde.
Cida afirmou ainda que “a valorização do trabalho da mulher se dá através da capacitação profissional”, o que a SPM disse que vai estimular em diversos setores da economia. “Um dos pontos mais importantes levantados pela ministra Iriny Lopes foi a necessidade de se construir creches, pois sem a creche a mulher não pode ir a lugar nenhum. A creche é um direito das mulheres trabalhadoras e não podemos esquecer que também é preciso atender as trabalhadoras rurais. Além das creches, as mulheres precisam de lavanderias públicas e restaurantes públicos”, completou.
A Conferência Nacional vai fazer uma grande campanha para fortalecer a Lei Maria da Penha, que está deixando de ser aplicada devido à interpretação de alguns magistrados. “Estão querendo acabar com a Lei Maria da Penha lentamente”, falou Cida, completando que “violência contra a mulher também se combate com geração de renda e empregos com carteira assinada. Temos que criar as condições para isso e elaborar políticas para as mulheres que atuam no mercado informal possam assinar a carteira”, frisou Cida.
CGTB
Sônia Zerino, secretária da Mulher e da Juventude da Nova Central, Cida Malavazi e Gláucia Morelli, presidente da Confederação das Mulheres do Brasil
Na área da saúde, a SPM e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, definiram como ações prioritárias relacionadas à saúde da mulher o combate ao câncer, o enfrentamento à violência contra a mulher e a Rede Cegonha, projeto de cuidado especial da mãe e da criança desde o pré-natal, parto, até os primeiros momentos de infância, e uma das prioridades na área de saúde do governo de Dilma Rousseff.
“Ainda é muito grande o número de mulheres que morrem no parto por falta de pré-natal”, ressaltou Cida, explicando que a partir de agora a SPM irá atuar em parceria com diversos ministérios e setores da sociedade para atingir os objetivos estabelecidos pelo CNDM.
Antecedendo a Conferência das Mulheres, este ano serão realizadas mais 13 conferências nacionais, dentre elas da saúde, educação, previdência, juventude e segurança alimentar, possibilitando uma articulação para que as conferências nacionais contemplem em suas deliberações as questões dos direitos das mulheres.
Para potencializar e ampliar o debate e os espaços de participação, a Conferência utilizará as novas mídias, redes sociais, meios comunitários e alternativos de comunicação - rádios e TVs comunitárias, como forma de ampliar e refletir o diálogo e debate em todas as regiões.





